Pesquisar na Lua da Ana...

26 de janeiro de 2007

Geração Moleskine







Estou habituada a andar sempre com "bloquinhos" como lhes chamam as amigas....
Tenho um, onde aponto as encomendas e os trabalhos da Ana Lua...
....tenho um onde aponto as ideias que um dia gostava de ter tempo para pôr em prática....
....tenho um que serve para os miudos irem desenhando quando tenho que os distrair nalgum lado...
... e tenho um Especial, é um Moleskine. Foi um AMIGO que me deu... o mesmo amigo que me mostrou este artigo, que tão bem ilustra estes "vícios" da minha geração. Obrigada Rui.***
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DN 06.05.05 - Pedro Mexia

"Se, como escrevi em crónica recente, toda a gente da minha geração anda com sacos amarelos (FNAC), acrescento agora que quase toda a gente anda também com cadernos Moleskine.

Pelo menos os jornalistas, escritores, artistas, bloguistas e aparentados. Às vezes, em roda de numa mesa, oito ou nove tipos sacam do Moleskine, ao ponto de se confundirem, como telemóveis.

Os Moleskines têm dois séculos. O seu ponto mais alto esteve na popularidade entre modernos ou modernistas Van Gogh, Matisse e Hemingway. Como explica o folheto que acompanha cada exemplar, este é "o lendário caderno de artistas e intelectuais europeus", que tem albergado "esboços e notas, ideias e emoções" de muitos notáveis. Não são portanto apenas itens vulgares para rabiscar gatafunhos: são um mito. E também (cito de novo) uma "testemunha do nomadismo contemporâneo".Estes cadernos de apontamentos têm formato de bolso, capa tipo oleado preto, um marcador e um elástico exterior. São o cúmulo da solidez e da elegância. Mas são sobretudo (daí o espantoso sucesso) uma marca de prestígio, com enormíssima caução cultural. Não se pode referir os Moleskine sem lembrar Bruce Chatwin, que comprava os seus caderninhos às centenas numa papelaria parisiense, os numerava, escrevia um endereço e indicava uma recompensa em caso de extravio.

Os Moleskines deixaram de ser fabricados em 1986 (Chatwin conta o episódio em O Canto Nómada), mas foram retomados em 1999, desta vez com todos os formatos e feitios, com linhas, lisos, quadriculados, em forma de agenda, com diferentes papéis. Foi um regresso acolhido em apoteose. Ao ponto de "caderno de apontamentos" se dizer agora "moleskine", mesmo quando não é um Moleskine. Gente que se preze não anda com blocos Castelo nem com agendas rústicas, mas exibe o seu precioso Moleskine, que acaricia como se fosse um adereço erótico. Há quem diga que isto é snobismo. Ou mesmo fetichismo. Mesmo porque, como escreveu o sociólogo marxista, a "cultura" também é um estatuto. Acontece que o Moleskine é mesmo o melhor caderno do mercado. E não quero outro caderno que não esse. Chamem- -me snobe que eu gosto."

25 de janeiro de 2007

A esperança depositada num novo ano....

"Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um individuo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para frente ... Tudo vai ser diferente ...!"

Carlos Drummond de Andrade

19 de janeiro de 2007

Ainda o mesmo assunto....

Bilhete Postal - Ferreira Fernandes in CM 18-01-2007

"O pai biológico já fala de umas massas pelo incómodo psicológico. O pai adoptivo prefere ir para a prisão (seis anos!!!) do que dizer onde está a sua menina. A Justiça é cega – mas precisa de ser estúpida? O crime deste pai adoptivo é recusar arrancar a sua menina daqueles que ela sempre viu como pais. Quando pensa em incómodo psicológico, o pai adoptivo pensa no da sua filha.

E não faz comércio disso. Mas, diz-me a Justiça, ele não é um “pai adoptivo”, ainda não houve legalmente adopção. Está bem, falo só de pai. Pai: condição que muitos ganham na rifa do espermatozóide de uma noite e este PAI (o sargento Luís Gomes) conquista à custa da sua liberdade. Com a condenação é um criminoso. Que honra é para qualquer pessoa de bem apertar a mão a este criminoso!"

Estou revoltada....muito....muito....

Não consigo deixar de me revoltar...
É angustiante estarmos a assistir a uma coisa destas...
Que doutos senhores, altos responsáveis pela justiça no nosso pais, deitam a cabeça na almofada à noite e dormem depois de uma decisão destas??
Eu, sou pelos Pais....
Pela Mãe que fugiu com aquela criança, que deixou um emprego, os amigos e a familia, que vive angustiada cada minuto do seu dia mas que tem certamente um sorriso e os braços abertos para a filha...
Pelo Pai que está preso, com uma setença injusta e cruel, sem noticias da sua familia, mas que apesar de tudo surge sempre com um sorriso de tranquilidade... o sorriso de um Pai que protege a filha..
Eu sou por eles... e por aquela menina que merece a felicidade ao lado dos seus Pais. Porque ser Pai e ser Mãe é exactamente o que eles têm sido para ela... ou não é isto o que qualquer um de nós faria pelos filhos??
Estou revoltada...muito...muito....

17 de janeiro de 2007

Eu gostei muito.....

Rezem pela minha alma pecadora
António Lobo Antunes

"Tenho bem conta da precariedade disto. Qualquer dia a vida diz-me adeus e vai-se, e eu sem tempo sequer para despedidas
— Adeus vida
eu só olhos e narinas abertas na almofada. Vi o meu pai morto e a injustiça da sua imobilidade revolta-me. Vi pessoas de que gostava muito mortas e revoltei-me também. Quer dizer, nem uma palavra me saiu da boca e eu furioso. Parentes sérios, cumprimentos, abraços. Saía da capela que cheirava horrivelmente a flores, tudo igual cá fora e eu mais furioso ainda. Sentava-me num degrau do adro, ficava para ali. O relógio da igreja ia batendo horas. Não compreendia, não compreendo e o facto de não compreender desesperava-me. Não queria compreender só com a cabeça, queria compreender com os sentidos e nem a cabeça nem os sentidos me ajudavam. Um sentimento de solidão muito grande, de desamparo. E sempre a mesma pergunta
— Porquê?
e um vazio a seguir à pergunta. Meta-se depressa debaixo da terra pai ou seja, já que não se mexe, que o metam depressa debaixo da terra. E depois os objectos dos mortos que a pouco e pouco desaparecem, coisas em que mexiam todos os dias, que faziam parte deles, que usavam, e a sensação que as coisas mortas igualmente. Pegava-lhes e não se animavam. Pareciam moles. Casas cheias de ausências. Um prato que se sumia da mesa, uma cadeira a prolongar a forma de um corpo que não existia. Ficam retratos: que me interessam os retratos. O nome. E depois os retratos e o nome desaparecem igualmente. Ficarão os meus livros. Meu Deus serei apenas livros um dia, lombadas numa estante? E estas mãos? Estes olhos? Este corpo? Na última entrevista de um escritor inglês, ao perguntarem-lhe o que desejava da posteridade respondeu
— Que rezem pela minha alma pecadora.
Espero que façam o mesmo por mim porque andei cheiinho de pecados até à borda. Pela janela o vento nos arbustos, sol, que coisa. Rezem pela minha alma pecadora. E o vento que não pára de remexer, agitar. Que pretende ele? Dá ideia de querer segredar não sei quê, explicar-me e não lhe alcanço a linguagem. As casas também, às vezes. E a noite. À noite é pior: cochichos, cicios, avisos. Não sou uma criatura triste, sou uma criatura intrigada. Leonardo da Vinci costumava assinar Leonardo, iletrado. Lá vai, entre os arbustos, uma cadela no cio com a sua dúzia de cachorros ansiosos atrás. Esse ar preocupado dos cães. Às vezes lá estão eles mortos na berma das auto-estradas, ensanguentados. Se passar por ali no dia seguinte desapareceram: quem os levou? Um bêbado de braços abertos no meio das pistas, a desafiar os automóveis, de gabardina e cachecol no pino do verão. A gabardina sempre a mudar de forma derivado aos gestos. O horror dos doentes no hospital de quando eu era médico, O meu pai morreu sozinho num deles, a meio da noite. Que léria é esta? Alguém nasceu ou morreu acompanhado, porventura? Alguém viveu acompanhado a sério, não me refiro a gente por perto, refiro-me a acompanhado, uma proximidade sem palavras, uma fusão. Toquem-me no ombro, há alturas em que sinto necessidade que me toquem no ombro. Depois, logo a seguir, podem ir-se embora. Homens a despejarem bilhas de gás de uma camioneta. O senhor do café que desenrola o toldo à manivela. Bandeiras nos parapeitos derivado ao futebol. Uma ocasião fui buscar uma mulher que queria suicidar-se ao telhado de um prédio. Foi um bambúrrio não temos caído os dois dali abaixo. Os telhados dos prédios
(e era um prédio novo)
são oblíquos e escorregam.
— Esteja calma
insistia eu (que palermice)
— Esteja calma
e ela inclinada cá para baixo a chorar. Carros da polícia a acenderem e a apagarem as luzes do tejadilho, a cara da porteira numa espécie de postigo
— Eu não aguento
e claro que aguentou conforme a mulher aguentou, conforme eu aguentei. Lá viemos pela escada com ela sempre a chorar, um dos pés calçado, o outro descalço, e por cima da roupa essas batas que se põem para limpar o pó. Tinha uma espécie de vassoura que ficou lá em cima um bocado depenada. As luzes do tejadilho dos carros da polícia apagaram-se. Isto no Outono sob um céu de desastre. Não sei se a mulher tinha marido, filhos. Não tornei a vê-la e nem da cor do seu cabelo me recordo. Recordo-me das unhas comidas. De uma pulseirinha de oiro. Mais nada. E eu, que sofro de vertigens, para ali feito herói
— Esteja calma
quando não há heroísmo algum mim. Sou egoísta. Não valho grande coisa. É como na guerra: têm-se comportamentos esquisitos por um motivo que me escapa. De generosidade, de coragem. Claro que não estou necessariamente a falar no meu caso. Andei naquilo. É tudo. E mesmo que não aceite admiti-lo marcou-me para sempre: não me saem da ideia os nomes dos mortos. Aí está: os mortos nomes e coisas. O retrato de um deles no caixão, a perseguir-me até hoje. Não admira: quase tudo me persegue até hoje, uma velhota que lavava degraus num prédio, a gemer. Não andava na escola ainda e o raio da velhota não pára de gemer. Há cinquenta anos que geme no interior de mim. Vou acabar esta prosa. Como? Se alguém me desse uma ajudinha, uma ideia. O vento nos arbustos? Não. A cadela com cio? Também não. A mulher? Nem sonhar. Acabar apenas, levantar-me da mesa com uma frase a meio. O meu pai? Ainda menos. Talvez a frase do escritor inglês: rezem pela minha alma pecadora."

VISÃO - 28 DE DEZEMBRO DE 2006

15 de janeiro de 2007

Semana Santa....e grandes decisões

Semaninha Santa no trabalho...
Quarta feira... é o grande dia... a grande decisão....
Vamos ver....

12 de janeiro de 2007

Uma coisa nova....

www.coisasdegemeos.blogspot.com


É muito mais específico, mas apareçam e divulguem por favor....
Gostava de fazer disto uma coisa em GRANDE!

8 de janeiro de 2007

Feliz Ano Novo!!!

Desculpem a minha ausência....
Eu sei que continuam a ser poucos os que se preocupam com isso...mas pronto....

Um grande, grande ano de 2007 para todos!
Vai certamente ser um ano de mudanças....
Tenho grandes projectos para este ano, uns mais pessois e outros que posso partilhar....

Será um ano de mudanças profissionais...sem dúvida....
Onde isto irá dar ainda não sei bem...mas que não ficará assim é uma certeza....
No entanto... tenho grande confiança neste ano que está a começar.....
Gosto de números primos...do 7 especialmente (não é cris?)...
Espero que ele não me desiluda....
Pronto.... para ser um bocadinho parecido com os outros....

Quero paz, muita saúde para todos, amigos, saidas, jantares, sorrisos, vontade de trabalhar e projectos novos para alcançar....

Sejam Felizes, este ano e sempre!!!!

21 de dezembro de 2006

Confesso.....


Confesso que ADORO o Natal....

.... que adoro a correria,
as compras de última hora, os atropelos, os sacos, os sorrisos, e os cumprimentos....

....gosto de passar pelos conhecidos e dizer mais do que um "olá..tudo bem...",

...gosto da desarrumação, da desordem e da bagunça, de prendas por embrulhar escondidas entre roupa por passar a ferro ou dentro de uma gaveta...
.... gosto da música...

... gosto "ainda mais" da familia....

.... gosto do tempo, gosto de me vestir de vermelho, gosto de sair de casa...

... gosto de deixar uma prenda para comprar no último dia...

... gosto de viver esta magia...

.... gosto muuuito das recordações de outros natais!

Mas confesso que...

... ainda gosto de acreditar no Pai Natal!

18 de dezembro de 2006

Preparando o Natal.....


Está quase....
Para ajudar, a Mãe vai ter 2 diazinhos de férias...
Tão bom....
Hoje à tarde vamos à Aldeia do Pai Natal em Óbidos....
....amanhã vamos ao cinema!!
Que bom!
Que saudades destas férias onde há tempo para tudo!
Até quarta....

15 de dezembro de 2006

"O colega do lado" Por Maria João Lopo de Carvalho



Acho que vale a pena ler...
Um texto fantástico, escrito por uma pessoa que parece que trabalha aqui comigo e enviado por uma amiga que eu adorava que fosse "a minha colega do lado". Esta semana mais do que nunca....

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"Gramamos a família porque a hereditariedade nos impõe, gramamos o marido (ou a mulher) porque o escolhemos de livre vontade, mas gramamos os colegas de trabalho porque nos calham na rifa e temos de levar com eles em cima, a bem ou a mal, na melhor das hipóteses, oito horas por dia. Ou seja: a família, quando muito, aos domingos e feriados; o marido e os filhos, duas, três
horas por dia, no máximo (metade das quais a ver televisão ou a partilhar tarefas domésticas); e os outros, para os quais não fomos ouvidos nem achados, dispõem de mais tempo e de mais espaço do que toda a nossa vida somada. É com eles que rimos, choramos, que nos irritamos, que amuamos, que lixamos ou somos lixados, que vamos à bica e às compras, é a eles que avaliamos, que ajudamos, são eles os nossos carrascos e cúmplices, os nossos amigos ou, pior, os nossos principais inimigos. É no trabalho, acho eu, que revelamos as nossas grandes capacidades e virtudes, mas também, e como há tempo para tudo, o pior que o ser humano tem: a inveja, o rancor, a gula (roubo todas as caixas de chocolates onde os meus olhos vão parar), a vaidade, a intriga, o orgulho, a luxúria (enfim, todos sabem como e porquê. "Ai, você hoje está linda...", "Acha dr?", "Não acho, tenho a certeza, brilha como a lua"). O ambiente de trabalho é assim, muitas vezes, uma impiedosa arena do circo romano onde se mata quem é fraco, sobrevive quem é forte. É esta a tragédia da questão. Competitividade e matança são armas letais de significado idêntico - desafie-se o poder! Mas como perder ninguém quer, ligamos a competição à ambição (a longo prazo) e à ganância (a curto prazo), tudo em circuito fechado, para que a via-sacra da matança seja forte demais e excitante demais para a conseguirmos abafar.
(...)
Há sempre um gajo porreiro em que nos escudamos e que, de facto, não nos quer tramar às primeiras; um gajo que tem dias e que ora amanteiga para a direita, ora amanteiga para a esquerda - é o gajo que quando a coisa corre bem foi ele próprio que a fez (é "muita bom"), quando corre mal, fomos nós, pobres inexperientes e ele até se fartou de nos avisar, infelizmente não acreditámos no seu teatro. Adoro a tribo dos manteigueiros frenéticos: aqueles que só saem depois do chefe nem que fiquem a jogar paciências no computador, que nos desfazem em strogonof pelas costas, que controlam as nossas entradas e saídas de cena, bichanam com os seus superiores e ajustam contas com as secretárias e o pessoal, a quem com tanta alma chamam "menor", baralhando sem pudor humilhação com humildade. Prefiro o folclore dos que gritam como ovelha a ser degolada mas que depois se redimem ao acrescentarem uns parágrafos triunfais na "porra" do dossiê. Nós os portugueses adoramos reunir. Podemos não fazer a ponta de um corno, mas reunir tem de ser. Basta reunir e já está! Não é nunca o ponto de partida, é sempre o ponto de chegada. E antes de reunir gostam de planear a estratégia para tramar o parceiro. Pode não haver estratégia para mais nada, mas para tramar o colega do lado aqui vai disto. Agressividade quanto baste é a metodologia (odeio esta palavra) para chegar ao poder. Todos conhecem a cartilha, a cru ou disfarçada de fada boa. Em suma, os portugueses acham que para serem melhores têm de arranjar alguém para mau da fita, é a teoria dos vasos comunicantes em todo o seu esplendor. É com "vasos" destes - que à partida não são nem amigos, nem filhos, nem marido, nem sequer os escolhemos num menu - que temos de partilhar o cheiro, a voz, e o génio, das ramelas, à barba por fazer; das malhas na meia ao rímel esborratado, todas as horas, todos os dias, todos os anos.


É tudo uma questão de "ambiente" no trabalho! "

13 de dezembro de 2006

Por estes dias....


Adivinhem???
Por estes dias fiquei em casa... desta vez o Afonso e mais Varicela....
Muitas coisas boas para fazer...
O natal para preparar....
Miminhos extras.....
Prendas para embrulhar....
Pintar mais....
Beijinhos mais....
Hummm soube tão bem...

30 de novembro de 2006

Uma história de amor....

Hoje, deixo-vos um miminho para o fim de semana...leiam, imprimam, reencaminhem e leiam aos filhos antes de dormir. Está é uma das minhas histórias preferidas e descobri esta semana que se calhar pouca gente sabe disso....
Porque é linda e terna e mostra a todos a força do amor e a importância de "serMãe". De José Eduardo Agualusa, "O Pai que se tornou Mãe".


"Toda a gente sabe que são as mães que trazem os filhos dentro da barriga. Os bebés formam-se no ventre das mães, crescem, e depois saltam cá para fora — para a luz. Por isso dizemos que as mulheres dão à luz.
O que pouca gente sabe é que há uma excepção. Existe uma espécie animal em que é o pai que cria os filhos dentro da barriga e é ele que os entrega à luz: o cavalo-marinho.
Como é que isto aconteceu? É essa a história que hoje vos quero contar: uma incrível história de amor. O fim talvez seja um pouco triste. Mas é sempre assim: as histórias de amor só são felizes quando não as contamos até ao fim.

Há muito, muito tempo, no tempo em que os Homens ainda não falavam, no tempo em que os dinossauros ainda andavam pela terra, nesse tempo vivia no mar um casal de cavalos-marinhos. Ele chamava-se Mário, ela Maria. Ela chamava-lhe Márinho, ele chamava-lhe Mariaminha. Mário e Maria andavam sempre juntos. O mar, para eles, era um imenso jardim. Naquele tempo estava tudo no princípio, todas as coisas eram novas e brilhavam (como um par de sapatos acabados de estrear). Mário e Maria gostavam de passear, de descobrir animais estranhos, paisagens perdidas, outros mares.
— Olha, Márinho! — gritava Maria espantada — vê como são bonitas!...
Eram medusas. Bailavam lentamente entre as algas, desapareciam nas ondas, pareciam feitas apenas de água e de luz.
— Também se chamam alforrecas ou águas-vivas — disse-lhe Mário — Não têm boca, mas mordem.
Maria gostava do nome águas-vivas. Mário explicou-lhe que elas se chamam assim porque Deus, para fazer a primeira criatura, misturou a água com o lume e a isto juntou barro. Porém, antes de juntar o barro, caiu-lhe das mãos um pouco de água, e Ele percebeu que essa água já estava viva: era uma alforreca. Por isso, porque Deus não chegou a dar-lhes forma, é que as alforrecas são animais tão simples — não têm boca, não têm braços nem pernas mas, por causa do lume queimam quando alguém tenta agarrá-las.
Maria também gostava das baleias. Eram grandes como montanhas, mas muito delicadas, e não faziam mal a ninguém. Cantavam ao amanhecer, brincavam com os filhos, juntavam-se para ver o espectáculo do pôr-do-sol.
Nos dias de tempestade o mar escurecia. Maria tinha medo. Nesses dias abraçava-se a Mário e ficava a ver os peixes — coitados dos peixes! — a girarem, meio tontos, arrastados pelas fortes correntes.

Uma manhã Maria acordou doente. Tinha perdido o brilho. Ela que sempre tivera uma cor tão bonita — todo o seu corpo era de um amarelo iluminado — estava a ficar baça e transparente. Sentia-se muito leve, sentia que alguma coisa se apagava lentamente dentro dela. Mário, sempre tão calmo, ficou nervoso. Foi consultar o golfinho, que é um animal inteligente e muito viajado; mas o golfinho nunca tinha visto nada assim. À medida que as horas passavam Maria tornava-se menos existente desaparecia. Primeiro desapareceu-lhe a cauda, as barbatanas perderam toda a cor, e até a sua voz ficou mais fraca, como se ela estivesse a afastar-se para muito longe.
— Não me deixes — pediu-lhe Mário — Ainda temos tanta coisa a descobrir.
Maria ficou com pena. Não podia deixá-lo tão sozinho. Com as poucas forças que lhe restavam encostou-se a ele.
— Vou dar-te os nossos filhos — disse, e abriu-lhe a barriga e colocou dentro dele todos os seus ovos —. Quando eles nascerem mostra-lhes o mar.
Disse isto num suspiro e desapareceu. Durante os primeiros dias, sozinho, Mário sentiu-se perdido. O mar deixara de ser um jardim: achava-o agora grande, escuro e perigoso.
E sem a alegre surpresa de Maria nada lhe parecia realmente novo. Passado algum tempo, porém, notou que o seu corpo se modificava a barriga crescera, tornara-se firme e redonda, e ele começou a sentir-se outra vez alegre, num estranho alvoroço, embora não soubesse muito bem porquê. Era como se tivesse uma festa a crescer dentro de si.
Então, numa manhã de muito sol, com o mar todo iluminado, Mário viu que a sua barriga se abria, e viu saltarem lá de dentro dezenas de pequeninos cavalos-marinhos. Eram os seus filhos.

Talvez há pouco eu me tenha enganado. Parece-me agora que esta história tem um final feliz. Porque decidi que ela acaba aqui, num nascimento, e porque a partir daquela manhã de sol, passou a existir neste nosso planeta um pai que dá à luz."


Coração apertadinho....

Não sei porquê....
Não há nada diferente das outras vezes...
Mas desta está a custar mais...
Os miúdos vão hoje para Vila Nova de Cerveira passar o fim de semana e eu não queria nada....
Ai.... Detesto viagens em fins de semana grandes....

28 de novembro de 2006

Voluntários???

Hi hi hi....

Quem quer contribuir para a paz mundial....

...por favor é só seguir as instruções

27 de novembro de 2006

A minha semana passada...


O Tomás esteve com varicela....
Uma semana inteirinha em casa com a Mãe....
Muitas arrumações e limpezas....
Muito tempo para miminhos extras, fazer bolos, gelatina, pudins e prendas para o Natal....
Um problema grave que não se resolveu....
Um filho com varicela que queria estar bom e poder ir à escola... e um filho que estava bom e que queria estar com varicela para ficar com a Mãe em casa....
(não houve resolução possivel)

17 de novembro de 2006

Sexta-feira....

Que bom....
Há novidades aqui pelo trabalho, que são: "Vai haver novidades a 30 de Janeiro", simples....
ping-pong...ping-pong.... e nós cá vamos andando.... pong! até Janeiro.
Vou para Lisboa à noite.... vou ver o Luis Represas e o João Gil em Sintra... vai ser giro! Apetecia-me sair...já vos disse?
Tenho saudades de algumas coisas importantes... sim porque há coisas que preciso e sair e divertir-me é uma delas. Recuso-me a aceitar as pantufas e o sofá como preferência para os fins do dia. Música alta... falar aos ouvidos e aos gritos.... a magia da noite. Os cheiros, os segredos e as potencialidades...
Mas pronto... faltam os amigos... com vontade de o fazer, principalmente...
Se calhar um dia destes ponho um anuncio....
"Precisam-se amigos para uma noite de farra.
Não são admitidos curriculos com preferências por jantares em casa
e DVD's ultimo grito para ver a seguir. Admite-se preferencialmente
aqueles que gostam de jantares prolongados, a começar
depois das 22 horas e acompanhados por sangria....
Depois ir aqui e depois ali e depois voltar lá.
Preferência pelo consumo de bebidas brancas.
Sentido de humor apurado e boa disposição permanente.
Não se admitem cinderelas que se transformam em abóboras .
se não tiverem em casa à meia noite."
Não conhecem ninguem assim, pois não??
... eu bem me parecia!

14 de novembro de 2006

Que bom.....



Que bom, que bom que bom....

Vai correr tudo bem....

Conta comigo!!!!

10 de novembro de 2006

Amanhã é Dia de S.Martinho!

Em Portugal, o Outono e a chegada definitiva do tempo frio são comemorados no dia 11 de Novembro, Dia de São Martinho. Neste dia, um pouco por todo o país, assam-se castanhas, bebem-se vinho novo e água pé e, em alguns pontos do país, ainda há quem reuna familiares e amigos à volta de uma fogueira ao ar livre...
Mas poucos são aqueles que sabem qual o real significado do Dia de São Martinho, ou mesmo o que é a água pé...


Começando pela história de São Martinho, reza a lenda que, "num dia tempestuoso ia São Martinho, valoroso soldado romano, montado no seu cavalo, quando viu um mendigo quase nu, tremendo de frio, que lhe estendia a mão suplicante... S. Martinho não hesitou: parou o cavalo, poisou a sua mão carinhosamente na do pobre e, em seguida, com a espada cortou ao meio a sua capa de militar, dando metade ao mendigo. E, apesar de mal agasalhado e sob chuva intensa, preparava-se para continuar o seu caminho, cheio de felicidade. Mas, subitamente, a tempestade desfez-se, o céu ficou límpido e um sol de Estio inundou a terra de luz e calor. Diz-se que Deus, para que não se apagasse da memória dos homens o acto de bondade praticado pelo Santo, todos os anos, nessa mesma época, cessa por alguns dias o tempo frio e o céu e a terra sorriem com a benção dum sol quente e miraculoso." É o chamado Verão de São Martinho!"

O costume do Magusto, que tradicionalmente começava no Dia de Todos-os-Santos, é simultaneamente uma comemoração da chegada do Outono e um ritual de origem religiosa: o dia do Santo Bispo de Tours (São Martinho) está historicamente associado à abertura e prova do vinho que foi feito em Setembro. A água pé é o resultado da água lançada sobre o bagaço da uva, donde se retirava o pouco de mosto que aí se mantinha. Esta bebida pode ser consumida em plena fermentação ou, depois disso, adicionando-lhe álcool.
Assim, diz o ditado popular "no dia de S. Martinho vai à adega e prova o vinho". No fundo, com o São Martinho e o Magusto comemora-se a proximidade da época natalícia, e mais uma vez, a sabedoria popular é esclarecedora: "dos Santos até ao Natal, é um saltinho de pardal!"

2 de novembro de 2006